Dentes do siso ou do "juízo"! Factos

Dentes do siso ou do “juízo”! Factos

A

Os 1ºs molares erupcionam por volta dos 6 anos, os 2ºos molares por volta dos 12 anos e os 3ºs molares ou dentes do siso erupcionam entre os 18 e os 25 anos de idade, razão porque muita gente os conhece também como os dentes do juízo!

B

Existem pessoas que não têm, nunca tiveram nem nunca irão ter 1, 2 , 3 ou mesmo nenhum dos 4 dentes do siso, simplesmente porque nasceram sem os gérmen que lhes dá origem.

C

O nascimento ou erupção dos sisos não é obrigatoriamente complicada. No entanto quando a sua erupção é parcial, a probabilidade de inflamação por simples trauma da gengiva que o recobre ou mesmo infeção dado que existe uma porta de entrada de bactérias é sempre uma situação mais tarde ou mais cedo esperada!

D

Na nossa opinião, todo o siso deve ser removido desde que os benefícios sejam maiores que os malefícios. No se um paciente decidir manter um siso com indicação de extração, tal significará que o mesmo deve ser acompanhado clinica e radiograficamente ao longo do tempo, de forma a prevenir complicações! Um dado muito importante a reter, é a existência de inúmeros estudos que reforçam a ideia de que a remoção dos sisos (sisos com indicação de extração obviamente!), antes dos 25 anos de idade resulta numa melhor cicatrização (não é preciso sequer que os mesmos tenham rompido a gengiva e as respectivas raízes estejam totalmente formadas) e que após esta idade, a dificuldade será decerto maior (osso mais duro e raízes totalmente formadas) e um risco acrescido de complicações e tratamentos adicionais para as resolver! Em suma se tem menos de 25 anos e os seus sisos tem indicação de extração, não hesite e remova-os quanto antes!

E

A evolução da espécie humana levou ao encurtamento do perímetro dos maxilares, por força sobretudo da alteração dos hábitos alimentares (a nossa alimentação tem vindo ao longo dos tempos a tornar-se mais elaborada e mole!). Este facto por si só faz com que nos dias de hoje os sisos não tenham espaço para erupcionar devidamente, ficando impactados nos maxilares com todas as complicações que isso pode trazer, nomeadamente:

  • acidentes de erupção quando as complicações surgem entre os 18 e os 25 anos
    (idade de erupção fisiológica);
  • acidentes de desinclusão quando as complicações surgem depois dos 25 anos.

F

Indicações para a extração de sisos:

  • Pericoronarites de repetição ou seja inflamação ou em alguns casos infeção por contaminação bacteriana, do tecido que recobre um dente não erupcionado;
  • Cárie e/ou periodontite (doença gengival) no 2º molar adjacente;
  • Quistos e tumores associados aos sisos;
  • Pacientes que vão ser submetidos a Cirurgia ortognática, dado o maior risco de fracturas desfavoráveis durante a osteotomia (corte do osso) para corrigir relação desfavorável dos maxilares;
  • Dor facial ou de ouvidos inespecífica após esgotar todas as outras hipóteses de diagnóstico (mas sem garantia de sucesso!).
  • Como medida profilática em:
    • pacientes com patologia cardíaca que favoreça o aparecimento de endocardite bacteriana;
    • pacientes que vão ser sujeitos a transplante de órgãos;
    • pacientes que vão ser submetidos a radioterapia ou quimioterapia.
  • Incapacidade de higiene adequada dos dentes do siso por falta de acesso com a escova dentária. Ao risco de cárie e problemas gengivais no siso em questão, junta-se também os problemas no dente adjacente!

G

Contraindicações (relativas) para a extração de sisos:

  • Risco de dano nas estruturas adjacentes (nervo dentário inferior, fossa pterigomaxilar, seio maxilar). Neste caso ponderar a não extração ou optar pela técnica de coronectomia (remove-se coroa e apenas o 1/3 das raízes) reduzindo assim o risco de lesão sobretudo do nervo dentário inferior. Se a extração do siso for imprescindível (ex. dor aguda e abcessos recorrentes) ponderar realizar a cirurgia para a respectiva extração em meio
    hospitalar.
  • Nos casos em que existem patologias sistémicas associadas sejam elas cardíacas, pulmonares, oncológicas, sanguíneas, etc., ponderar a não extração ou se a extração do siso for imprescindível (ex. dor aguda e abcessos recorrentes) ponderar realizar a cirurgia para a respectiva extração em meio hospitalar com o apoio das especialidades envolvidas.
  • Nos casos de idade avançada (a ocorrência de complicações aumenta com a idade), esgotar as outras hipóteses de tratamento (medicação e proservação ou seguimento) optando pela extração apenas nos casos em que a mesma se torna imprescindível (ex. dor aguda e abcessos recorrentes).
  • Na presença de infeções agudas no local do siso a extrair (abcessos ou mesmo celulites), deve-se adiar o procedimento até que as respectivas infeções estejam debeladas e controladas.

H

A extração do 3º molar ou dente do siso não é de forma alguma um procedimento à partida simples. Por vezes pode ser muito invasivo e desconfortável! Procure sempre um especialista em cirurgia oral para proceder à sua remoção. A experiência do profissional conta muito neste tipo de intervenção, torna-a simples na vez de a complicar!

Segundo o estudo de Koskela S, Suomalainen A, Apajalahti S, Venta I. Malpractice claims related to tooth extractions. Clinical oral investigations. 2017;21(2):519-22., na extração dos sisos, as queixas de má prática clinica apresentam-se mais elevadas, quando exercidas por médicos dentistas generalistas (78%) comparando com cirurgiões maxilo-faciais (15%) e especialistas em medicina dentária (7%). Para além disso, metade dos casos, tinham sido efetuados por profissionais com menos de 10 anos de experiência.

I

A dificuldade da sua extração varia consoante:

  • Tamanho da coroa dos sisos
  • Forma e disposição das raízes dos sisos
  • Relacionamento dos sisos com as estruturas anatómicas vizinhas nomeadamente com os 2ºs molares ( duma maneira geral os sisos inferiores inclinados para trás ou mesmo os verticais são os mais difíceis de remover. Pelo contrário os sisos superiores inclinados para a frente são os mais complicados) mas também a sua relação com o ramo da mandíbula, com o nervo dentário inferior que passa no meio do corpo da mandíbula (maxilar inferior) e com o seio maxilar no caso dos sisos superiores.
  • Profundidade da impactação no osso (quanto mais profunda for a impactação no osso mais difícil será à partida a sua remoção).

J

O exame mais usado para avaliar o grau de dificuldade duma eventual remoção dum siso é sem sombra de dúvida a ortopantomografia, no entanto perante imagens positivas reveladoras de relação próxima ou mesmo intima dos sisos inferiores com o nervo dentário inferior (escurecimento, estreitamento ou deflexões das raízes dos sisos, desvio do canal dentário inferior e interrupção da linha branca) deve-se pedir outro exame auxiliar seja um TAC, Dental Scan ou CBCT de forma a clarificar a referida relação.

L

Em que consiste o procedimento de extração do siso? No dia de sua extração do siso, o ideal é fazer uma refeição leve e tomar todos os medicamentos que eventualmente forem prescritos, nomeadamente o antibiótico. Se for o caso evite usar maquiagem ou qualquer acessório volumoso no cabelo que possa dificultar o posicionamento de sua cabeça durante a intervenção.

É importante informar o Médico-dentista especialista do seu historial de saúde nomeadamente facultar atempadamente lista de medicamentos, para que, se necessário, se tomem as devidas precauções.

A anestesia para extração dos sisos é local e ministrada por injeção como se fosse tratar um dente. Se a ansiedade for um problema sério poderá ser ponderada a toma de um sedativo antes (decisão tomada única e exclusivamente pelo cirurgião). Se for usado um sedativo é necessário levar um acompanhante no dia da cirurgia, para o orientar após a intervenção enquanto o sedativo ainda não perdeu o efeito.

Após a anestesia fazer efeito é feita uma incisão na gengiva, que é então descolada, para que o cirurgião possa aceder ao siso a extrair. A seguir consoante o caso, será feita:

  • a extração simples do dente (por vezes pode ser necessário cortar o dente antes e retirá-lo em partes);
  • a remoção do osso que recobre o dente e só depois a remoção do dente propriamente dito. Por fim será feita uma lavagem da cavidade onde estava o dente com soro fisiológico e termina com uma sutura.

A duração da extração dum siso varia conforme a dificuldade da cirurgia mas em média leva cerca de 30 minutos para ser feita (por dente), podendo em alguns casos mais fáceis demorar 10 minutos apenas e noutros mais que os 30 minutos referidos como média.

M

O pós-operatório duma extração dum siso depende muito do grau de dificuldade da sua remoção e da experiência do profissional que o executa! No entanto é esperado dor (facilmente controlável seja com anti-inflamatórios seja com analgésicos), maior ou menor inchaço durante 4 a 6 dias (controlado com gelo local e medicação), trismus (limitação da abertura da boca).

N

Possíveis complicações após extração de sisos (situações pouco comuns mas passíveis de acontecer). São elas:

  • Hemorragia
  • Infeções
  • Rompimento da sutura
  • Perda de sensibilidade na língua e/ou queixo ( incidência de 0,5 a 5% para o nervo dentário inferior/parestesia do queixo e ou bochecha e 0,6 a 2% para o nervo lingual/parestesia da língua). Normalmente tal situação é temporária e desaparecer por si só sem fazer nada ou pode demorar meses a passar e exigir que se tomem medidas adicionais, nomeadamente medicação apropriada e fisioterapia.
  • Existe ainda outro tipo de complicações ainda muito mais raras:
    • Reação ao anestésico e seus componentes;
    • Fractura do dente adjacente;
    • Lesão de tecidos moles adjacentes (gengiva ou bochecha);
    • Deslocamento do siso superior a extrair para o seio maxilar;
    • Lesões nervosas permanentes;
    • Trauma da articulação temporo-mandibular (ATM).

O

Muito se pesquisou sobre a temática dos dentes do siso entortarem os outros dentes ao nascerem/erupcionarem. A maioria dos estudos aponta para o facto de que raramente o siso tem força suficiente para entortar os outros dentes. Aliás muitos desses dentes do siso acabam por nunca erupcionarem acabando por ficar indefinidamente retidos no osso maxilar.

P

A extração dum dente do siso não implica à partida a remoção dos demais. No entanto se for extraído um siso inferior e o siso superior do mesmo lado estiver em boca pode o mesmo começar a “descer” em busca do seu antagonista que já foi extraído (extrusão dentária) com as complicações que lhe estão associadas (cáries, mobilidade, contactos deficientes com os dentes oponentes que podem originar problemas na ATM). Neste caso o melhor será extrair também o siso oponente superior.

Q

Tomar antibiótico para extrair sisos (Profilaxia antibiótica). Sim ou Não? É um tema controverso com uns especialistas a apoiarem e outros por outro lado a criticarem.

Na Clínica Dentária Jardim dos Arcos, assumimos a prescrição de antibióticos para prevenir quadros patológicos locais e sistêmicos em determinados procedimentos odontológicos nomeadamente na extração de sisos impactados, porque:

  • em virtude do fato da cavidade oral abrigar uma extensa variedade de microrganismos patogênicos;
  • são vários os estudos que constataram que o uso de antibiótico imediatamente antes da extração reduz o risco de infeção, dor e alveolite após a extração de dentes do siso.

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